quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ateus bonzinhos? Conto até dez!


Há uma crescente e barulhenta militância ateísta no ocidente. São pessoas que cansaram de levar paulada caladas e decidiram – encorajados, muitas vezes, por personalidades que decidiram não mais esconder o ceticismo – abrir o verbo e, o que é irônico, arrebanhar fieis, quer dizer, infiéis. O movimento tem seu lado positivo, pois fé ou ausência de fé nunca deveriam fazer parte da lista de coisas que definem um ser humano.

Pessoas não deveriam ser avaliadas por coisas tão pessoais como religião ou falta de religião e, como num ímpeto de poder gozar da mesma liberdade que qualquer religioso tem, o ateu começou a agremiar-se e se organizar para exigir esse direito.

Apesar de ser etimologicamente impreciso, por ser um termo cunhado pelo cristianismo para definir quem não acredita no Deus cristão, o adepto do ateísmo não só admitiu a palavra, como expandiu seu significado para abranger a descrença em toda e qualquer entidade divina.

Nesse contexto, existem hoje na Europa e nos Estados Unidos, algumas dezenas de entidades que cuidam de interesses ateístas e que agem de forma bastante contundente na proteção dos direitos de quem não crê na existência de Deus ou deuses.

Aqui no Brasil, nós temos a ATEA, que tem se manifestado com mais frequência, mas que ainda recebeu um “eu nem sabia que isso existia” de um conhecido âncora de uma grande emissora de TV recentemente.

Acusado erroneamente por religiosos e alguns estudiosos como uma nova religião, o ateísmo, apesar de guardar alguns elementos encontrados em movimentos religiosos, não pode ser visto como tal. Para isso, torcidas por times de futebol e o rotary clube deveriam também ser assim tachadas. Mas não é o caso.

Dos elementos afins guardados entre religiões e o ateísmo, nenhum é tão perturbador quanto esse de pintar o adepto como alguém moralmente superior. Essa característica comum da religião tem sido percebida e utilizada até por entidades respeitadas nos Estados Unidos. Na infinidade de blogs sobre o tema, é comum ler comentários sobre como fulano de tal é mal, apesar de ser cristão, e como sicrano é bonzinho sendo ateu. É uma pena.

Moral não está num rótulo. E também o ser humano já devia saber que todos somos sujeitos aos mais terríveis erros. Ateus bonzinhos, conto até dez! Se não mudarem o rumo, não vai demorar para pipocar casos de ateus adeptos em noticiários policiais, com um agravante: Religiosos que erram podem sempre colocar culpa em Deus ou no Diabo. E ateus? Só espero que tenham a decência de, se chegar essa hora, assumirem seus erros e pagarem aqui na terra o preço pelos seus atos.

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