Há
uma crescente e barulhenta militância ateísta no ocidente. São
pessoas que cansaram de levar paulada caladas e decidiram –
encorajados, muitas vezes, por personalidades que decidiram não mais
esconder o ceticismo – abrir o verbo e, o que é irônico,
arrebanhar fieis, quer dizer, infiéis. O movimento tem seu lado
positivo, pois fé ou ausência de fé nunca deveriam fazer parte da
lista de coisas que definem um ser humano.
Pessoas
não deveriam ser avaliadas por coisas tão pessoais como religião
ou falta de religião e, como num ímpeto de poder gozar da mesma
liberdade que qualquer religioso tem, o ateu começou a agremiar-se e
se organizar para exigir esse direito.
Apesar
de ser etimologicamente impreciso, por ser um termo cunhado pelo
cristianismo para definir quem não acredita no Deus cristão, o
adepto do ateísmo não só admitiu a palavra, como expandiu seu
significado para abranger a descrença em toda e qualquer entidade
divina.
Nesse
contexto, existem hoje na Europa e nos Estados Unidos, algumas
dezenas de entidades que cuidam de interesses ateístas e que agem
de forma bastante contundente na proteção dos direitos de quem não
crê na existência de Deus ou deuses.
Aqui
no Brasil, nós temos a ATEA, que tem se manifestado com mais
frequência, mas que ainda recebeu um “eu nem sabia que isso
existia” de um conhecido âncora de uma grande emissora de TV
recentemente.
Acusado
erroneamente por religiosos e alguns estudiosos como uma nova
religião, o ateísmo, apesar de guardar alguns elementos encontrados
em movimentos religiosos, não pode ser visto como tal. Para isso,
torcidas por times de futebol e o rotary clube deveriam também ser
assim tachadas. Mas não é o caso.
Dos
elementos afins guardados entre religiões e o ateísmo, nenhum é
tão perturbador quanto esse de pintar o adepto como alguém
moralmente superior. Essa característica comum da religião tem sido
percebida e utilizada até por entidades respeitadas nos Estados
Unidos. Na infinidade de blogs sobre o tema, é comum ler comentários
sobre como fulano de tal é mal, apesar de ser cristão, e como
sicrano é bonzinho sendo ateu. É uma pena.
Moral
não está num rótulo. E também o ser humano já devia saber que
todos somos sujeitos aos mais terríveis erros. Ateus bonzinhos,
conto até dez! Se não mudarem o rumo, não vai demorar para pipocar
casos de ateus adeptos em noticiários policiais, com um agravante:
Religiosos que erram podem sempre colocar culpa em Deus ou no Diabo.
E ateus? Só espero que tenham a decência de, se chegar essa hora,
assumirem seus erros e pagarem aqui na terra o preço pelos seus
atos.
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