A Relíquia, de Eça de Queiroz, é uma de minhas leituras favoritas. Pra quem acha que todo clássico de literatura é monótono e de difícil leitura, este livrinho vai certamente quebrar esse tabu. Pra quem já conhece alguma obra de Eça, como O Primo Basílio – outra excelente leitura – vai ter a chance de apreciar um texto mais bem humorado e meticuloso. Na verdade, a história de Teodorico Raposo(Raposão) é de morrer de rir. Órfão criado pela tia beata, Titi, Teodorico é um divertido e interesseiro hipócrita, que, na frente da tia, segue encenando o empenho e fervor religioso na esperança de algum dia herdar os bens de Titi e, longe de seus olhos, vive como um bon vivant, cheio de mulheres e bebida.
A melhor parte do livro é quando, em peregrinação pela Terra Santa, Teodorico narra com detalhes surpreendentes acontecimentos que tomam lugar na época da crucificação de Jesus. As descrições dos lugares, das pessoas, os nomes são de uma meticulosidade tão impressionante – tanto que até rendeu uma crítica de Machado de Assis, que julgava o personagem incapaz de saber de tudo aquilo – que você acaba tendo uma aula sobre aquele período, mas tudo sempre com muita graça e humor.
Meu trecho
favorito é o diálogo – num sonho de Raposão - entre Teodorico e
o Diabo. É simplesmente hilário.
Também é
divertido como, no final de sua peregrinação, Eça dá um jeitinho
para conciliar a versão bíblica da ressurreição e o caminho
alternativo explorado por diversos estudiosos, inclusive abordado em
livros mais populares como o Código da Vinci, de Dan Brown.
A Relíquia
serve como ótimo livro de cabeceira. Aprecie com tempo e à vontade.
Mas um aviso: Tenha sempre a mente aberta, senão você larga o livro
no segundo capítulo.
Você adquirir o livro aqui:
Abraços.
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