sexta-feira, 20 de abril de 2012

Números 31 - A complicada tarefa de defender o indefesável!


Não há, talvez, em toda a Bíblia, episódio que traga mais dificuldade para os cristãos do que aquele que ficou conhecido como a Vingança dos Midianitas, descrito no livro de Números em seu capítulo 31. As tentativas de defender o indefensável são ridículas, quando não hilárias. Conta essa história que o grande patriarca hebreu Moisés, sob ordem direta do Senhor Deus de Israel, levanta contra os midianitas para vingar as doze tribos do pecado trazido por aqueles incrédulos. O pecado? Adorar um deus diferente. No combate, diz o livro de DEUS, todos os homens de Midiã foram assassinados, inclusive seus reis, a saber, Evi, Requem, Zur, Hur e Reba, além de Balaão, cuja jumenta havia, outrora, lhe dado um belo sermão, mas isso é outra história. As cidades foram dizimadas. O que parecia ter sido, no entanto, mais uma campanha vitoriosa dos hebreus em nada agradou o grande líder Moisés, que ficou decepcionado e irou-se profundamente quando, ao receber seus oficiais, percebeu que estes haviam poupado mulheres e crianças:
“Deixastes viver todas as mulheres? Eis que estas, por conselho de Balaão, fizeram prevaricar os filhos de Israel contra o SENHOR, no caso de Peor, pelo que houve a praga entre a congregação do SENHOR.
Agora, pois, matai, dentre as crianças, todas as do sexo masculino; e matai toda mulher que coabitou com algum homem, deitando-se com ele.
Porém todas as meninas, e as jovens que não coabitaram com algum homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós outros ”. Números 31.
O que as pessoas das igrejas não percebem quando nos pedem –nós, livre pensadores – pra ler a Bíblia para encontrar salvação (ninguém sabe exatamente de quê!) é que é exatamente por ler o livro santo que pensamos como pensamos. Em outras palavras, nós pensamos que qualquer movimento que reconheça, endosse, aprove ou mesmo justifique barbáries não pode ser legítimo. Como poderia ser justificado o extermínio de seres indefesos? Como justificar a escravidão?
Desafia a própria razão a tentativa de se argumentar a favor de episódios sórdidos como esse.
É óbvio que com a evolução do pensamento e o consequente rompimento – ainda que tímido - com valores religiosos, poucas pessoas hoje em dia concordariam com líderes genocidas. Pessoas normais repudiam esse tipo de acontecimento. Mas daí a essas mesmas pessoas repensarem movimentos que utilizam e veneram escritos e personagens primitivos, psicopatas e genocidas ainda vai levar um bastante tempo.

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